1ª edição da Revista Contos de Ifá

Lançamos a primeira edição da Revista sobre os Laboratórios de Inovação Cidadã Contos de Ifá: uma ferramenta para a educação em estudos da história da África e dos africanos.

Contos de Ifá são laboratórios de inovação cidadã: laboratórios para promoção da identidade negra a partir de games roteirizados com a mitologia afro-brasileira. Além, são métodos com base em tecnologia aberta e desenvolvimento ágil de projetos com a juventude negra a partir de experiências em rádios e jogos digitais nas escolas públicas, em pontos de cultura, centros culturais, terreiros, quilombos e índios. Esta tecnologia permite formas de expressar a oralidade como preservadas nas casas de Matriz Africana no país. Este formato pode ser reusado em diferentes culturas tradicionais e saberes ancestrais como forma de combater o racismo, o preconceito e intolerância religiosa.

Acesse e leia:  contos-de-ifa-magazine

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Vivência Laboratórios de Inovação Contos de Ifá no SESC Riberão Preto (SP)

por Ricardo Ruiz. 

O SESC – Serviço Social do Comércio de Ribeirão Preto, munícipio de 674.000 habitantes (IBGE, 2016) distante 315Km da capital do Estado de São Paulo, realizou, durante os dias 11 e 30 de setembro o festival denominado #hashtag. Parte de um calendário anual de atividades, #hashtag define-se como uma reunião de intervenções, bate-papos, oficinas, experimentações e provocações sobre as novas tecnologias e suas potenciais formas de utilização – seja como suporte, meio ou fim -em práticas humanizadoras. (SESC, 2016).

Como parte do festival, entre os dias 28 e 30 de setembro, foi realizada a Vivência Contos de Ifá. Contos de Ifá são laboratórios de inovação para a promoção da identidade negra e feminina de comunidades tradicionais. A constituição desses laboratórios é baseado no desenvolvimento de web-games roteirizados a partir da mitologia afro-brasileira. A metodologia é pautada por tecnologias abertas que buscam enfrentar a intolerância religiosa e o extermínio da juventude negra. Durante os dias de vivência proposto, buscar-se-ia apresentar, para a comunidade ribeirão-pretense, como se dão as atividades que constituem esse laboratório: seu histórico, método, resultados alcançados e perspectivas de futuro.

A vivência – com 3horas diárias, o que totalizou 9 horas – foi conduzida por Mãe Beth de Oxum (Maria Elizabeth Santiago de Oliveira), Ricardo Borges Brazileiro e Ricardo Ruiz Freire, propositoress e coordenadores dos laboratórios de inovação Contos de Ifá. Neste momento, cabe-nos uma reflexão: denominamos laboratórios de inovação a crescente aplicação de metodologias abertas que promovam a co-criação de tecnologias diversas, dentro de um processo de aprendizagem, produção e gestão que tendem a incluir os setores científico e tecnológico, empresarial e governamental concomitante a organizações da sociedade civil e cidadãs e cidadãos. (SCHIAVO, 2014). O termo surgiu no 1996 White Paper on Science and Technology (DACST, 1996), e nos dias de hoje pode ser definido como um desenvolvimento inclusivo que apóia usuários e cidadãos como propositores de inovações que incorporem elementos de desenvolvimento social e econômico (HART, 2015). Estas metodologias, a priori, propões uma nova forma de produção, onde usuários e consumidores não são vistos como atores externos ou público alvo, mas como parte ativa do sistema em desenvolvimento (SCHIAVO, 2014).

De volta à Ribeirão Preto, é importante notar o perfil do público participante da vivência: todas as participantes eram mulheres, negras, entre 23 e 66 anos, com diferentes perfis sócio-econômico – cozinheiras, gestoras públicas, estudantes, produtoras culturais, enfermeiras. Seu objetivo comum na oficina pode ser identificado como a busca do fortalecimento de uma rede de atores focados no combate ao racismo, na valorização da identidade negra e no desenvolvimento sócio econômico de seus pares. Esse perfil foi fundamental para redirecionar o método e os conteúdos a serem apresentados durante as três noites de convívio.

No primeiro dia, entre 18:30 e 21:30, com todas as participantes em roda e a apresentação em um projetor digital, foi mostrado um histórico do Centro Cultural Coco de Umbigada. Responsável pelo desenvolvimento do laboratório de inovação cidadã Contos de Ifá, o centro cultural é uma figura jurídica de direito privado sem fins lucrativos que desenvolve suas atividades no tangente entre cultura de matriz africana, comunicação social e tecnologias digitais. Com dezessete anos de idade, as atividades do centro cultural vão desde oficinas de construção de tambores, passando por oficinas rítmicas, de dança, expressão artística, desenvolvimento de software e produção audiovisual. Possui também um estúdio de gravação sonora, uma ampla área para encontros e aulas, bancadas modulares com  computadores laptops e desktops e uma rádio FM em 89,5MHz com 150 MWz de potência, uma parceria de 4 anos com o Ministério da Cultura e coletivos de mídia independente, como a Rádio Amnésia e a sub>mídia. Realiza também, dentre outros eventos, a tradicional Sambada de Coco do Guadalupe, em Olinda, Pernambuco, todo o primeiro sábado de cada mês, há 15 anos. Tudo isso em um espaço regido por uma casa religiosa de matriz africana, o Ilê Axé Oxum Karê. Nesse rico ambiente de produção simbólica e econômica que se desenvolve, desde 2010, o laboratório para construção de web games roteirizados a partir das mitologias de matriz africana.

No segundo dia de vivência foi apresentada a plataforma Contos de Ifá – contosdeifa.com – e seu processo de desenvolvimento, de 2010 até o presente. Iniciado com um subsídio do Ministério da Cultura, teve, ao longo de sua história, apoio da Secretaria de Cultura da Bahia, Fundação para as Artes e o Patrimônio Histórico do Pernambuco – FUNDARPE, Fundo Brasil de Direitos Humanos e do Prêmio Banco do Brasil de Tecnologias Sociais. Iniciado como uma alternativa ao modelo de telecentro para acesso à internet, o laboratório contou com diversas fases de produção: oficinas em escolas técnicas da Zona da Mata do Estado de Pernambuco, laboratórios abertos para a comunidade do terreiro para a programação dos jogos educativos e das trilhas sonoras, laboratórios de desenvolvimento de aplicativos para celulares na Universidade Federal do Recôncavo Baiano com alunos de Escola Pública de Cachoeira e São Félix, na Bahia, e processos continuados com dez meses de duração para desenvolvimento de jogos em cursos profissionalizantes realizados no espaço do centro cultural.

Como resultado desse longo processo, o jogo atualmente conta com seis fases desenvolvidas em seu portal web e um, que corresponde a histórias de seis Orixás segundo preservadas pelas histórias orais nas casas de culto de matriz africana, e um aplicativo para Android, que se baseia na história de um sétimo Orixá. Para além do desenvolvimento econômico dos participantes nos laboratórios – que tiveram sua renda ampliada no decorrer dos processos educacionais, fossem monitores ou aprendizes – salientou-se a potência da ferramenta na manutenção da oralidade como presente na tradição ancestral de matriz africana e no processo de diversidade de atores na construção dos jogos, que perpassa um intenso debate sobre o respeito às religiosidades, o combate ao racismo, e os desafios socioeconômicos das comunidades periféricas do país.

O último dia de atividade foi focado em propor uma forma de constituir, com a participação de diversos atores sociais da cidade de Ribeirão Preto, um laboratório Contos de Ifá para a produção de artefatos digitais. Para além da conversa realizada na unidade do SESC durante os horários estipulados, parte da turma também visitou terreiros de matriz africana e líderes espirituais e comunitários locais, no intuito de tecer uma rede que se torne possível uma interação entre atores do território nacional na busca por inovações tecnológicas que tragam em seu universo o complexo emaranhado capaz de proporcionar, ao mesmo tempo, o desenvolvimento econômico e de uma ética social que propicie respeito ao ser humano e a todo o ambiente no qual ele se insere.

Referências Bibliográficas

Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Estimativas da população residente nos municípios brasileiros com data referência em 1º de julho de 2016. Disponível em: <http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/estimativa2016/estimativa_dou.shtm&gt;. Consultado em 30 de agosto de 2016.

SESC, Caderno de Programação Setembro. SESC, 2016. Disponível em

DACST (Department of Arts, Culture, Science and Technology). White paper on science & technology: Preparing for the 21st century. Pretoria: Department of Arts, Culture, Science and Technology; 1996.

SCHIAVO, Ester; DOS SANTOS NOGUEIRA, Camilla; VERA, Paula. Entre la divulgación de la cultura digital y el surgimiento de los laboratorios ciudadanos: El caso argentino en el contexto latinoamericano. Rev. iberoam. cienc. tecnol. soc., Ciudad Autónoma de Buenos Aires , v. 8, n. 23, p. 179-199, dic. 2014 . Disponível em <http://www.scielo.org.ar/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1850-00132014000200011&lng=es&nrm=iso&gt;. acessado em 12 out. 2016.

Tim G.B. et al . Revealing the social face of innovation. S. Afr. j. sci., Pretoria , v. 111, n. 9-10, p. 01-06, Oct. 2015 . Disponível em <http://www.scielo.org.za/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0038-23532015000500014&lng=en&nrm=iso&gt;. acessado em 13 Oct. 2016. http://dx.doi.org/10.17159/SAJS.2015/20140126.

Abertas inscrições para laboratório Contos de Ifá no SESC Ribeirão Preto

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Estão abertas as inscrições para o desenvolvimento de mais uma etapa da plataforma Contos de Ifá, desta vez com um laboratório no SESC de Ribeirão Preto, em São Paulo. Os encontros acontecerão de 28 a 30 de setembro, das 18h30 às 21h30. Serão três dias de envolvimento com tecnologias abertas, buscando a implementação de uma nova fase do jogo, que tem como narrativa a mitologia afro-brasileira.

O curso, gratuito, será ministrado pelos idealizadores do game, Ricardo Brazileiro e Ricardo Ruiz, e por Mãe Beth de Oxum, yalorixá do Ilê Axé Oxum Karê, em Olinda (PE). Ao todo são oferecidas 25 vagas e a iniciativa é voltada para pessoas com interesse na promoção da identidade negra, entusiastas de jogos online, professores, estudantes e interessados em geral, a partir dos 12 anos de idade.

Além de participarem do processo de criação e construção de um jogo que tem como foco o enfrentamento à intolerância religiosa e o extermínio da juventude negra, os envolvidos poderão entender melhor como utilizar o ambiente virtual como ferramenta educacional.

A plataforma – O Contos de Ifá é uma experiência em novas mídias: um jogo educativo de aventura que possui como temática a mitologia afro-brasileira, que já possui seis estágios no ar, sobre as histórias de Exu, Odé, Ogun e Obaluaiê, Ossain e Ibeji. Atualmente, o mini-game já disponível no site conta com mais de 40 mil visitas.

A plataforma começou a ser elaborada a partir da sanção da Lei 10.639/03, que incluiu no currículo escolar o estudo da História da África e dos Africanos, a luta dos negros no Brasil, a cultura negra brasileira e o negro na formação da sociedade nacional. A ideia é oferecer uma ferramenta interativa em que o jogador possa, ao mesmo tempo que se diverte, apreender conhecimento, num processo cognitivo que valoriza a ludicidade e busca a quebra de preconceitos com as religiões afro-brasileiras.

A iniciativa é desenvolvida pela 3Ecologias, através de parceria com o Centro Cultural Coco de Umbigada, e conta ainda com apoio do Ministério da Cultura, do Fundo Pernambucano de Incentivo à Cultura (Funcultura), e do Pernambuco Nação Cultural.

Para conhecer o jogo e obter mais informações, acesse: http://contosdeifa.com.

Serviço:
Laboratório Contos de Ifá, no SESC Ribeirão Preto (SP)
Quando: de 28 a 30 de setembro, das 18h30 às 21h30
Inscrições gratuitas pelo e-mail matricula@ribeirao.sescsp.org.br ou na Central de Atendimento (na mensagem deverá constar nome completo, RG, telefone e o título da atividade).

Oficineiros
Mãe Beth de Oxum
Mãe Beth de Oxum, é Iyalorixá do Terreiro Ilê Axé  Oxum Karê, Terreiro da Umbigada em Olinda-PE, é cantora, compositora e comunicadora, Cavaleiro da Ordem do Mérito Cultural, é Representante da Lei Cultura Viva e da Comissão Nacional  dos Pontos  de  Cultura, é Coordenadora Geral do Centro Cultural Coco de Umbigada e presidente da Federação dos Cocos de Roda de Pernambuco.

Ricardo Ruiz
Possui graduação em Comunicação Social pela Universidade São Judas Tadeu(1998) e especialização em Design de Hipermídia pela Universidade Anhembi Morumbi(2003). Atualmente é Presidente da 3Ecologias e Gerente de Projetos da Universidade Federal de Pernambuco. Tem experiência na área de Ciência Política, com ênfase em Políticas Públicas.

Ricardo Brazileiro
Mestre em ciências da computação pela Universidade Federal de Pernambuco, atua como pesquisador de tecnologias sociais e de inovação para as cidades. Possui experiência como inventor de aparatos interativos, interfaces criativas multimodais e intervenções na rede através de games online e dispositivos para Internet das Coisas. É fundador da 3Ecologias e possui interesses em políticas públicas para o campo da cultura e tecnologia.

Tem busdoor do Contos de Ifá circulando na Bahia!

Quem estiver em Salvador, na Bahia, poderá ver anúncios sobre o Contos de Ifá nas seguintes linhas:

  • Aeroporto/ Praça da Sé
  • Aeroporto/ São Joaquim
  • Estação Mussurunga/ Ribeira/ São Joaquim
  • Simoes Filho/Lapa

A nova etapa do web-game contou com o incentivo do Fundo de Cultura da Bahia.

Estamos ansiosos para apresentar as novas fases do jogo no site de Contos de Ifá. Fica atento e acesse!

 

Contos de Ifá apresenta na Expotec o processo de criação, modelagem e desenvolvimento do game.

O Jogo Contos de Ifá, uma experiência em novas mídias: um web-game educativo de aventura que possui como temática a mitologia afro-brasileira. São também laboratórios para professores da rede pública focado no uso do jogo como ferramenta pedagógica em sala de aula, e metodologia para a construção, junto aos alunos, de novas histórias-jogos para a plataforma. A ideia é que possamos apresentar um painel sobre o Contos de Ifá e inserir o jogo no lineup de Games do evento.

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A iniciativa é promovida pela 3Ecologias, em parceria com o Centro Cultural Coco de Umbigada, e conta com o apoio do do Ministério da Cultura, do Fundo Brasil de Direitos Humanos, do Fundo de Cultura da Secretaria de Cultura da Bahia, do Fundo Pernambucano de Incentivo à Cultura

A fase de Oxumarê foi desenvolvida na cidade de Cachoeira (BA).

A fase de Oxumarê do Contos de Ifá foi desenvolvida na cidade histórica de Cachoeira-BA em parceria com o projeto de pesquisa e extensão Arte-Computação nas Escolas, UFRB. O processo se deu através de oficinas de programação nas quais 6 estudantes de São Félix e Cachoeira tiveram contato com fundamentos da Ciência da Computação com foco em linguagem de programação para jogos eletrônicos utilizando o software livre Processing.
Os encontros para as oficinas ocorreram duas vezes por semana (quartas e sextas) no Laboratório de Jornalismo Impresso do CAHL-UFRB sempre das 8 às 11 hs.

As oficinas seguiram a seguinte estratégia metodológica: 1. Apresentação de 5 conceitos fundamentais de programação: funções, testes, repetições, variáveis e arrays aplicando-os em pequenos exercícios.
2. Demonstração desses conceitos no protótipo do jogo de Oxumarê;
3. Gravação do som;
4. Finalização do jogo.

Seguimos o seguinte cronograma:

11 de mar – Apresentação
13 de mar – Funções 18 de mar – Repetições
20 de mar – Variáveis
25 de mar – Testes
27 de mar – Arrays
01 de abr – Finalização do Protótipo Quarta dos Tambores 03 de abr – Som
04 de abr – Som
06 de abr – Finalizações no Estúdio de Gravação
07 de abr – Finalizações
08 de abr – Finalizações no Estúdio de Gravação
09 de abr – Finalização do Protótipo